Gessyklea Coutinho

Curso : GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS

De norte a sul, estou firme e forte.

Meu nome é Gessyklea (Klea), tenho 24 anos, sou natural de João pessoa-PB, mas moro em Maringá há 3 anos. Tive uma infância rodeada de violência e muita pobreza, minha mãe nos criou sozinha e morávamos em uma favela (comunidade) em João pessoa. Era triste a realidade daquele lugar, eu vi de tudo! Morte, fome, sofrimento, mas também um pouco de felicidade, o que me deixava confusa e com medo, parecia que as pessoas tinham um destino pré-determinado, como se todas elas soubessem que o seu futuro seria filhos e só. O tempo passou e fui tomando gosto pela leitura. Meu primeiro emprego foi aos 15 anos, trabalhava junto com a minha mãe (adorava meu emprego), porém, comecei a sentir coisas na minha cabeça, não sabia exatamente o que era, era uma dor e depois passava. Até que em uma tarde, estava terminando os meu afazeres no trabalho e senti a mesma sensação, só que mais forte, bem mais forte, lembro de baixar minha cabeça e sentir meu corpo despencando por cima do caixa. Depois de vinte minutos, mais ou menos, estava eu com minha mãe em um hospital, com a boca ensanguentada, o corpo dolorido, sem entender o que estava acontecendo. Os dias se passaram, fui despedida do emprego e comecei uma jornada de idas e vindas a clínicas de saúde. Fizemos exames e, quando fui mostrar ao médico (neuro) ele me deu a pior notícia que eu poderia receber, "você tem epilepsia, se cuide, e não fique triste, muitos tem até uma vida saudável" . Entrei em depressão, fui tratada por psicólogo (o que me ajudou muito) e, depois de muito tempo, comecei a aceitar minhas condições. Ah! também descobri que a causa das crises era ansiedade, vejam bem! Toda sexta-feira eu ia encontrar o meu amor de juventude, e o que acontecia? Toda quinta-feira, eu tinha convulsão e, quando eu não podia encontrá-lo, tinha convulsão quando recebia um SMS dele. Bom, o tempo passou e, aos 16 anos, eu conheci um rapaz que parecia gostar de mim. Começamos a namorar e casamos 4 meses depois. Foi a melhor escolha que fiz na minha vida! Porém, o que me entristecia eram as nossas condições de vida. Por causa da doença, eu não arrumava emprego. Muitas pessoas me davam conselhos para me aposentar, procurar uma ajuda do governo, isso me irritava e me fazia sentir pequena, doente, inútil. Depois de alguns anos, eu comecei a vender produtos eróticos e até consegui abrir uma pequena loja. Depois de 2 anos, mais ou menos, eu fechei a loja por falta de recursos. Até que então, um casal de amigos nos falou de Maringá, pensamos sobre o assunto e minha irmã decidiu conhecer a cidade. Ela veio para a cidade, gostou e arrumou um emprego. Meses depois, eu decidi deixar o Nordeste, deixar minha família, amigos, enfim...Comprei a passagem e vim sozinha, meu esposo ficou, pois eu não tinha dinheiro para comprar a passagem dele. Quando eu cheguei aqui, meu sofrimento começou. Nós não conhecíamos a cidade o suficiente, o casal de amigos que nos convidou parecia se incomodar com a presença da minha irmã na casa deles, e o que aconteceu? Ela foi convidada a morar na casa de uns colegas de trabalho, até aí tudo bem. Dias depois descobrimos que esses colegas lidavam com práticas ilegais, eles usavam coisas que até então eu só tinha visto em João Pessoa. Nós não tínhamos dinheiro, nem amigos, nem família, e foi aí que conheci algo que não desejo a ninguém, a fome. Passamos fome, frio, eu chorava muito, me sentia pequena, humilhada, me sentia um lixo Decidimos não contar para nossa mãe, tadinha! Não merecia saber. Conheci uma vizinha (anjo) que me viu chorando e passou a nos ajudar. Depois de uns dias, arrumei um emprego e as coisas começaram a melhorar. Conseguimos alugar uma casa (tinha até cerâmica e gesso), me senti rica, feliz, ora! Cerâmica é coisa chique! Meu marido comprou a passagem e veio para Maringá. Ah! Ele tem um filho, de um namoro anterior e infelizmente não pudemos trazê-lo. Bom! Saí do emprego, arrumei outro e então pensei, "preciso mudar minha vida, preciso ter orgulho de mim". Conheci a Unicesumar, vi os cursos e me encantei por RH, me matriculei e estou quase concluindo. Começamos a juntar um pouco de dinheiro para comprar nossa casa (nosso maior sonho), mas uma coisa muito ruim aconteceu, recebemos a notícia de que a mãe do filho do meu esposo estava no hospital. Dias depois, eu liguei para ela para desejar melhoras e me dispor, afinal sou apaixonada pelo filho deles, ela me agradeceu por tudo, agradeceu por gostar do filho dela, então nos dias seguintes veio a notícia do seu falecimento. Foi um baque, uma criança de 8 anos ficar sem a mãe. Foi um dos momentos mais difficiles da minha vida, não era fácil ouvir do Silas que Jesus era malvado, não era fácil responder às suas perguntas, não foi nada fácil tentar explicar o porque ele não viu a mãe dele no céu, quando ele pegou o avião. Começou então a luta para buscar o menino. Pegamos o nosso dinheiro (da casa), compramos as passagens e fomos buscá-lo. Ele chegou e se adaptou bem à cidade. Depois de tudo isso, estou eu aqui em Maringá, casada há 8 anos, mãe de um filho ganhado. Ainda não consegui meus objetivos, quero comprar minha casa, fazer uma pós e atuar na minha área. Muitos que sabem de minha história me perguntam como eu posso ser feliz? Simples, a vida é cheia de surpresas, as vezes boas, as vezes cruéis. Cabe a nós saber lidar com tudo isso, cabe a nós escolher nosso caminho, traçar nossas metas e seguir em frente. Eu decidi seguir em frente, não nasci para ser pequena, quero conquistar o mundo, quero ser influência para as pessoas, quero fazer feliz quem está ao meu redor, eu quero tantas coisas...quero ir a um show da Gal Costa, ter um casal de labrador, uma biblioteca, viajar com meu pai para a Bahia, viajar com meu melhor amigo para Vegas, fazer psicologia, montar uma equipe de vendas de produtos eróticos, comprar um louboutin, uma casa com cerâmica, estudar, estudar e estudar..meu Deus! São muitas coisas, não é? Enfim, como ainda não consegui, estou aqui, estudando em uma faculdade que eu adoro, que tem me ajudado a clarear meus pensamentos, a ter perspectiva de vida e me prova que é possível ter uma vida estruturada. A Unicesumar me mostra que, através dos estudos, eu posso alcançar mais facilmente os meus objetivos. Me sinto gente, me sinto importante, sou tratada de maneira respeitosa. Por isso, continuo lutando, rodeada de amigos lindos e com muita esperança de que o melhor ainda está por vir. Muito obrigada pelo espaço!

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